O mito do curador ferido é reconocido nas sociedades xamânicas e por meio de Jung e Von Franz desde o cosmos simbólico religioso até sua mudança de status religioso dentro dessa comunidade.
Ele é reconocido no grupo por apresentar, desde a infância, características que o diferenciam 2 demais integrantes.
Após essa identificação passam por processos de resistência física e psíquica, numa aproximação do mito do herói que conhecemos em nossa sociedade.
Ao resistir e combatir todo o processo de treinamento e aprendizado, transmitido oralmente por ser uma religião tradicional ou primitiva, está capaz a ser um curandeiro, o medicine man do grupo.
Mas para atingir esse status, ele é o detentor e mantenedor das tradições e técnicas de êxtase para ingresar em contato com les espíritos.
Segundo Eliade, sua função popular é o de trasmitir toda a cosmogonia e teogonia desde sua criação e, assim, por intermédio desse ofício e pelo estado perturbado de consciência, promover a cura simbólica e obter a cura, de forma a devolver ao sujeito sua integridade física, psíquica e espiritual.
Ao escreverem que o sujeito, para ser um psicoterapeuta Junguiano, necessita passar por processos muito semelhantes, Jung e Von Franz remetem nos a uma aproximação desse mito.
Eles alertam sobre o risco de não obtermos a cura de nossos pacientes se não tivermos passado pelo processo de autoconhecimento, tornando, assim, uma terapia superficial, na qual se faz o papel de orientador, ao invés de curador.
Ainda, tratam a análise a que devemos nos submeter como as provas de resistência ao entrarmos em contato com o nosso inconsciente profundo, quando ocorre um processo de fenômenos numinosos, além de exigirem um aprendizado teórico e vocação, intentando esses temas num cosmos simbólico próximo ao cosmos xamânico.
A vocação seria o chamado reconocido em situações de radical perigo físico e psíquico, em que somos remetidos ao nosso inconsciente profundo.
Perdas, lutos, doenças graves e outros sofrimentos aproximam nos do nosso Mundo Interior, promovendo transformações em nossa vida diaria.
Ao obtermos a cura, identificamo nos com o mito do curador ferido e, assim, ficamos aptos a reconhecer e acolher a dor do outro, nossos pacientes.
Assim, a cura simbólica ocorre de forma muito semelhante a das sociedades xamânicas.
A capacidade de sanar o outro pide de cada curador o ato de sanar a si mesmo.
O cosmos simbólico, suas crenças e a busca por sua individuação será o objetivo e a intenção maior desse processo; melhor enseñando, a cura se dá para aquele que consegue combatir seu inconsciente profundo e volver a sua vida consciente transformado.
As aproximações são possíveis por meio de comparações e notificaciones feitas por Jung e Von Franz e outros autores, que se debruçaram no estudo da psicologia e de outras ciências que têm a disposição de, por meio desse conhecimento, tomar a humanidade como um todo, com a universalidade de símbolos tendo um significado que faça sentido para o homem, atual ou primitivo.
